Foto: Benjamin Ealovega

Alfred Brendel

Falar de Alfred Brendel é falar de uma figura obrigatória da arte interpretativa ao piano do pós-II Guerra Mundial. Durante mais de meio século, Brendel ocupou merecidamente um lugar de 1.ª fila na galeria dos grandes recitalistas e concertistas do seu tempo, tocando décadas a fio nas mais prestigiadas salas, temporadas e festivais, com as mais importantes orquestras e maestros e estabelecendo uma vasta discografia que perdurará no tempo como referência interpretativa. Em Brendel, a interpretação foi sempre a conjugação e síntese da exploração sonora com a reflexão e a especulação intelectuais, o que conferia às suas leituras, sobretudo do repertório austro-germânico de Haydn a Schönberg, uma sensação especial de adequação som/texto e, logo, um selo de autenticidade.

A carreira brilhante que desenvolveu valeu-lhe inúmeros prémios, distinções e condecorações, de que destacamos aqui apenas alguns dos mais representativos: prémios Leonie Sonning, Ernst von Siemens, Karajan, Imperiale, Medalha Mozart em Ouro (Mozarteum de Salzburgo), ‘Gramophone’ de Carreira, Anel Beethoven (Universidade de Música de Viena), Medalha Bülow (Filarmónica de Berlim), além de doutoramentos ‘honoris causa’ de universidades como Cambridge, Oxford ou Yale.

Além de recitais a solo e concertos com orquestra, Brendel foi sempre um dedicado músico de câmara, fosse em música instrumental, fosse enquanto pianista-acompanhador de ‘Lied’, tendo emparceirado com muitos dos maiores instrumentistas e cantores seus contemporâneos.

Mas outro domínio houve em que Brendel se notabilizou: o literário. Hoje, entre colecções de ensaios e colectâneas de poemas, registos de conversas/entrevistas e publicação de conferências, ou livros de divulgação, Brendel apresenta já uma vasta bibliografia própria.

Depois de, de moto próprio, ter decidido terminar a sua carreira de concertista no final de 2008, Alfred Brendel continua a visitar os palcos internacionais num formato que combina a conferência, a leitura de poemas e a interpretação musical. Como este ano, nos Capuchos, evocando um compositor que toda a vida teve bem próximo do coração: Franz Schubert.

12 JUN 18h30

Conferência de Alfred Brendel – My Musical Life

13 JUN 17h30

Brendel: Poesia e Música
Recitação dos seus poemas