19.06 SATURDAY 8:00pm

Maria de Buenos Aires

Ópera-tango de Astor Piazzolla
(1921-1982)
Libreto de Horacio Ferrer
(1933-2014)
 
Ana Karina Rossi Maria de Buenos Aires
Ruben Peloni Tenor
Daniel Bonilla-Torres El Duende
Marcelo Nisinman Bandoneón e Direcção musical
Karen Gomyo Violin
Manuel de Almeida Ferrer Violin II
Francisca Fins Viola
Kyril Zlotnikov Cello
Tiago Pinto-Ribeiro Double Bass
Nuno Inácio Flute
Rosa Maria Barrantes Piano
Alberto Mesirca Electric Guitar
André Camacho and Pedro Carvalho Percussion
 
Programme
 
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1. Alevare
Meia noite em Buenos Aires. O Duende, espírito da noite de Buenos Aires, evoca a imagem e esconjura a voz de Maria de Buenos Aires.

2. Tema de María
A voz de Maria acode à convocatória do Duende.

3. Balada para un organito loco
O Duende pinta a memória de Maria, auxiliado pela voz de um Payador (“trovador argentino”) e pelas vozes dos Homens que voltaram do mistério.

4. Yo soy María

5. Milonga Carriguera
Presente a sua memória e esconjurada a imagem de Maria, começa o relato da sua vida. Um menino de esquina chamado Porteño Gorrión con Sueño (“Pardal de Buenos Aires com Sonho”) descreve a Menina Maria como magnetizada pela força que a empurra para longe dele. Descreve, então, quando ela o deixa e o abandona, e ele a predestina para ouvir, para sempre, a sua desprezada voz masculina na voz de todos os homens.

6. Fuga y mistério
Silenciosa e alucinada, Maria deixa o seu bairro e atravessa Buenos Aires em direção ao centro da cidade e à sua noite mais profunda.

7. Poema valseado
Acanalhada pelo Bandoneón, como nas antigas lendas do tango, Maria canta a sua conversão à vida escura.

8. Tocata rea
Preso na própria história que vem cantando, o Duende procura o Bandoneón, desafia-o e bate-se em duelo com ele.

9. Miserere canyengue
Ferida de bala que o Bandoneón tem no seu alento, Maria desce aos esgotos. Ali o Ladrón Antiguo Mayor (“Ladrão Antigo Ancião”) condena a Sombra de Maria a regressar ao outro inferno – o da cidade e da vida – e a vaguear eternamente pela cidade danificada pelas luzes de Buenos Aires, as suas próprias luzes. Então, perante o seu corpo moribundo, Ladrones y Madamas (“Ladrões e Meretrizes”) informam o Ladrón Mayor que o coração de Maria morreu.

10. Contramilonga a la funeral
O Duende narra o funeral que as criaturas da noite fazem para a primeira morte de Maria.

11. Tangata del alba
Já enterrado o corpo de Maria, a sua sombra, Sombra Maria, cumpre a sentença do Ladrón Antiguo Mayor, deambulando pelas ruas da cidade e perdida do Duende.

12. Carta a los árboles y a las chimeneas
Sem saber em quem confiar e a quem contar a sua mágoa, a Sombra Maria escreve uma carta às árvores e às chaminés do bairro natal de Maria.

13. Aria de los analistas
Mais tarde, Sombra Maria chega ao circo dos psicanalistas, onde, incentivada pelo Primeiro Analista – que a confunde com a falecida Maria – faz a pirueta de arrancar-se memórias que não tem.

14. Romanza del Duende
Morta Maria, nos esgotos, e perdido o rasto de Sombra Maria, o Duende diz-lhe um tango, encostado no estanho de um bar mágico e absurdo. E envia-a com os paroquianos dessa taberna uma mensagem desesperada incitando-a a descobrir nas coisas e nos factos mais simples, o mistério da concepção. As Tres marionetas Borrachas de Cosas (“Três marionetas Bêbadas de Coisas”) revelam que o Duende apaixonou-se pela Sombra Maria.

15. Allegro Tangabile
Os compinchas do Duende ganham as ruas de Buenos Aires em busca do germe de um filho para Sombra Maria.

16. Milonga de la Anunciación
Sombra Maria é atingida pela mensagem de amor do Duende e abraça-se à revelação da fertilidade.

17. Tangus Dei
Amanhece um domingo de Buenos Aires. O Duende e uma Voz daquele domingo notam algo sobrenatural na manhã. É que no mais alto de um prédio em construção está dando à luz Sombra Maria. Mas as Amasadoras de Tallarines (“Amassadoras de Esparguete”) e os Tres Albañiles Magos (“Três Pedreiros Magos”) gritam, assombradosos, que daquela mãe que por sombra é virgem, não nasceu um tipo de menino Jesus mas uma menina. É a própria Maria, já morta, que ressuscitou da sua própria Sombra pelo amor do Duende, ou é outra? Tudo está concluído ou apenas começa?

::Programme Notes::
Balada da cidade que se fez mulher

Astor Piazzolla’s ‘Maria de Buenos Aires’ has been steadily acquiring a name for itself in theatres and/or opera houses around the world, with productions becoming more and more frequent. The truth is that, within a repertory that hasn’t seen much renovation, let alone the arrival of appealing new additions to it, a work like ‘Maria’ presents obvious virtues: it is musically attractive (and tango is getting ever more popular), it is visually picturesque, it is theatrically seductive (with its mixing of different dramaturgical worlds, like surrealism, expressionism, theatre of the absurd, myth, legend and satire) and it is emotionally powerful. Plus: it is not too long and it is not expensive to put on. So, in short, we have a winner! A joint creation of Astor Piazzolla (whose centenary we celebrate this year) and his Uruguayan poet friend Horacio Ferrer, ‘Maria de Buenos Aires’ premiered at Buenos Aires’s Teatro Planeta, on May 8, 1968, right when Paris was quickly turning into a ‘boiling pot’ under the pressure of revolutionary/protesting movements that would later come to be called ‘May 1968 events’. Across the Atlantic in southern hemisphere’s Buenos Aires, Astor Piazzolla had been leading a musical revolution for quite a few years, then, completely upsetting the meaning, function and place of ‘tango’ for the ‘porteños’ and the die-hard traditional “tango-ists” in the process (for these, Piazzolla was nothing short of a gentrifier and desecrator of tango altogether!). Today, the appeal of ‘Maria de Buenos Aires’ is even reinforced by its leading female character: yes, she dies, like in every theatrical/lyrical tragedy worthy of its name; but is born again, which is to say: she gives birth to her own self, while coming to impersonate a whole city. In this respect, it does not fail to empower women and womanhood.

* bandoneón, quarteto de cordas, contrabaixo, piano, guitarra eléctrica, bateria.

Bernardo Mariano