Bem-vindos ao Festival de Música dos Capuchos 2021!

Durante as 21 edições do Festival, entre 1981 e 2001, sob a direcção artística de José Adelino Tacanho, muitos foram os solistas e agrupamentos, nacionais e internacionais, que o abrilhantaram e a sua eclética programação era aguardada, ano após ano, com grande expectativa.
Duas décadas depois, “renasce” o Festival dos Capuchos, no local que lhe dá o nome, o Convento dos Capuchos, e que inspira o seu conceito programático: “cinco séculos de História e cinco séculos de Música”, refletindo assim a extraordinária criação musical ao longo destes quase 500 anos, do Renascimento à música contemporânea.

Vários são os concertos com repertório composto no período activo do Convento dos Capuchos, desde a sua construção em meados do séc. XVI ao seu declínio, com a queda da Casa dos Távoras e a extinção das ordens religiosas em 1834.
Desde logo, o concerto de abertura do Festival dos Capuchos 2021 apresenta um diálogo aliciante entre obras “a capella” dos mais relevantes compositores portugueses do período áureo da polifonia renascentista e o contraponto instrumental de Johann Sebastian Bach.
O repertório renascentista preenche também o recital de alaúde e vihuela de Hopkinson Smith, mestre incontestado dos instrumentos de cordas dedilhadas e figura fundamental do movimento da música antiga e das práticas de execução historicamente informadas, que regressará assim ao Festival dos Capuchos.
Trata-se de um concerto com um simbolismo especial, por assinalar o regresso de um artista que participou no festival há mais de 20 anos e também por, desta forma, prestar tributo ao fundador do Festival, José Adelino Tacanho, falecido em 2004 e que estudou alaúde, em Basileia, sob a orientação do próprio Hopkinson Smith.
Entre os muitos motivos de interesse da programação Festival de Música dos Capuchos, que contará com músicos e agrupamentos de excelência, alguns dos quais em estreia em Portugal, e com repertórios muito variados e apelativos, há a destacar dois momentos marcantes neste ano de 2021:
O centenário do nascimento de Astor Piazzolla, comemorado com um concerto dedicado a algumas das obras mais icónicas do seu “nuevo tango” e a apresentação da ópera-tango “Maria de Buenos Aires”, obra-prima do compositor argentino.
A presença nos Capuchos de Alfred Brendel, figura maior incontestável da arte interpretativa musical do pós-Segunda Guerra Mundial, que será alvo de uma grande homenagem do Festival de Música dos Capuchos, neste ano em que se assinala o nonagésimo aniversário daquele que é considerado o último “monstro sagrado” do piano.
Este tributo, em dois dias consecutivos, incluirá a muito aguardada conferência sobre a sua vida musical e a recitação, pelo próprio, de poemas da sua autoria e dois concertos com repertório de um dos compositores que lhe foram mais próximos: Franz Schubert.
Como preâmbulo das jornadas musicais do Festival dos Capuchos, propõe-se ainda um ciclo de “Conversas dos Capuchos”, dedicadas a três centenários, que se celebram em 2021, de figuras nucleares da literatura universal: Dante, Baudelaire e Dostoievski.

Este ano de 2021, tal como o de 2020, ficará indelevelmente marcado nas nossas vidas por momentos trágicos, relacionados com a pandemia Covid-19; momentos de grandes dificuldades, e inesquecíveis, perante os quais foi extraordinária a mobilização de muitas pessoas e o apoio de várias instituições para tornar possível, e também inesquecível, este muito desejado regresso do Festival de Música dos Capuchos em 2021, com destaque para a Câmara Municipal de Almada, promotora desta iniciativa louvável, e para o mecenas principal, BPI/Fundação “la Caixa”, de forma a celebrarmos a vida unidos pela grande música!

Bem hajam todos!

Filipe Pinto-Ribeiro

Director Artístico do Festival de Música dos Capuchos