Assinalar o início ou a continuidade de um festival é sempre motivo de júbilo, até porque todos sabemos como são importantes os festivais para a diversidade cultural e o acesso à cultura, a descentralização, o empenho de populações, empresas, sociedade civil; mas dar as boas-vindas a um festival que tinha estado longamente interrompido ainda significa mais, porque demonstra a tenacidade destes projectos que, tantas vezes, dependem de determinado entusiasta, de determinado apoio, de ventos instáveis ou favoráveis.

Voltar o Festival de Música dos Capuchos, voltarmos ao Festival de Música dos Capuchos, vinte anos após a última edição, pode e deve ser entendido à luz do conceito de «cinco séculos de História e cinco séculos de música», tantos quantos os do Convento dos Capuchos, exemplo da longa duração, ou não se tivessem manifestado no próprio Convento tantas mudanças e vicissitudes da história religiosa, política e cultural portuguesa.

Homenageando Alfred Brendel, na sua presença, evocando Astor Piazzolla, dando palco a compositores, orquestras e músicos nacionais e estrangeiros, de música antiga e moderna, apelando ao cruzamento de épocas, gerações, e até disciplinas artísticas, o Festival dos Capuchos regressa resgatando o lugar que conquistou, o público que é seu, a música que se volta a ouvir depois de um ultrapassável intervalo.

Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da República Portuguesa

O Festival de Música dos Capuchos volta a Almada, após o seu silêncio de duas décadas, repondo um lugar de referência que já foi seu, pela mão do ilustre Filipe Pinto-Ribeiro, enquanto Diretor Artístico, e da Câmara Municipal de Almada, enquanto promotora. Estou certa que Filipe Pinto-Ribeiro, com a sua sensibilidade artística e inteligência musical, dignificará o legado de José Adelino Tacanho, fundador do Festival de Música dos Capuchos, projetando-o para a eternidade.

Esta 1.ª edição do renovado Festival de Música, que decorre no belo Convento dos Capuchos, é o retomar de um caminho que não devia ter sido interrompido – não apenas uma evocação das edições anteriores –, e tem como ambição que Almada volte a ser referência nacional e internacional também na área na música clássica. Tendo como conceito “5 Séculos de História e 5 Séculos de Música”, queremos viajar pela excecional criação musical desses cinco séculos, enquanto nos maravilhamos com a beleza do Convento, edificado em meados do séc. XVI.

Honrando o período “ativo” do Convento, desde a sua construção ao declínio com a extinção das ordens religiosas, um dos eixos programáticos escolhidos foi o Repertório musical dos séculos XVI a XVIII, com o Renascimento, o Barroco, o Classicismo. Refletindo o restante período da história do Convento, escolheu-se também o Repertório musical dos séculos XIX a XXI, do Romantismo à música contemporânea. Mas como a música ultrapassa sempre qualquer classificação imposta, a programação surpreende pela sua diversidade, envolvendo vários géneros musicais, e promovendo o cruzamento da música com outras artes.

Enquadrado na Estratégia Local para a Cultura, este é um festival aberto a todos os almadenses e a todos os que nos visitam, uma iniciativa cultural de excelência, que honrará a história das 21 edições passadas, projetando um futuro em que o Convento dos Capuchos seja internacionalmente reconhecido como espaço anfitrião da excelência musical, tornando Almada uma “capital das artes performativas”.

Almada é um território de muitos que nutre um profundo orgulho pela sua diversidade que viu nascer inúmeros talentos de todas as expressões artísticas.

Termino deixando uma palavra de agradecimento a todos os nossos parceiros e ao mecenas principal, a Fundação “la Caixa”, por terem acreditado neste projeto e pelo contributo que dão para a diversidade cultural e universalização do acesso à cultura.

Inês de Medeiros

Presidente da Câmara Municipal de Almada

Bem-vindos ao Festival de Música dos Capuchos 2021!
Durante as 21 edições do Festival, entre 1981 e 2001, sob a direcção artística de José Adelino Tacanho, muitos foram os solistas e agrupamentos, nacionais e internacionais, que o abrilhantaram e a sua eclética programação era aguardada, ano após ano, com grande expectativa.
Duas décadas depois, “renasce” o Festival dos Capuchos, no local que lhe dá o nome, o Convento dos Capuchos, e que inspira o seu conceito programático: “cinco séculos de História e cinco séculos de Música”, refletindo assim a extraordinária criação musical ao longo destes quase 500 anos, do Renascimento à música contemporânea.

Vários são os concertos com repertório composto no período activo do Convento dos Capuchos, desde a sua construção em meados do séc. XVI ao seu declínio, com a queda da Casa dos Távoras e a extinção das ordens religiosas em 1834.
Desde logo, o concerto de abertura do Festival dos Capuchos 2021 apresenta um diálogo aliciante entre obras “a capella” dos mais relevantes compositores portugueses do período áureo da polifonia renascentista e o contraponto instrumental de Johann Sebastian Bach.
O repertório renascentista preenche também o recital de alaúde e vihuela de Hopkinson Smith, mestre incontestado dos instrumentos de cordas dedilhadas e figura fundamental do movimento da música antiga e das práticas de execução historicamente informadas, que regressará assim ao Festival dos Capuchos.
Trata-se de um concerto com um simbolismo especial, por assinalar o regresso de um artista que participou no festival há mais de 20 anos e também por, desta forma, prestar tributo ao fundador do Festival, José Adelino Tacanho, falecido em 2004 e que estudou alaúde, em Basileia, sob a orientação do próprio Hopkinson Smith.
Entre os muitos motivos de interesse da programação Festival de Música dos Capuchos, que contará com músicos e agrupamentos de excelência, alguns dos quais em estreia em Portugal, e com repertórios muito variados e apelativos, há a destacar dois momentos marcantes neste ano de 2021:
O centenário do nascimento de Astor Piazzolla, comemorado com um concerto dedicado a algumas das obras mais icónicas do seu “nuevo tango” e a apresentação da ópera-tango “Maria de Buenos Aires”, obra-prima do compositor argentino.
A presença nos Capuchos de Alfred Brendel, figura maior incontestável da arte interpretativa musical do pós-Segunda Guerra Mundial, que será alvo de uma grande homenagem do Festival de Música dos Capuchos, neste ano em que se assinala o nonagésimo aniversário daquele que é considerado o último “monstro sagrado” do piano.
Este tributo, em dois dias consecutivos, incluirá a muito aguardada conferência sobre a sua vida musical e a recitação, pelo próprio, de poemas da sua autoria e dois concertos com repertório de um dos compositores que lhe foram mais próximos: Franz Schubert.
Como preâmbulo das jornadas musicais do Festival dos Capuchos, propõe-se ainda um ciclo de “Conversas dos Capuchos”, dedicadas a três centenários, que se celebram em 2021, de figuras nucleares da literatura universal: Dante, Baudelaire e Dostoievski.

Este ano de 2021, tal como o de 2020, ficará indelevelmente marcado nas nossas vidas por momentos trágicos, relacionados com a pandemia Covid-19; momentos de grandes dificuldades, e inesquecíveis, perante os quais foi extraordinária a mobilização de muitas pessoas e o apoio de várias instituições para tornar possível, e também inesquecível, este muito desejado regresso do Festival de Música dos Capuchos em 2021, com destaque para a Câmara Municipal de Almada, promotora desta iniciativa louvável, e para o mecenas principal, BPI/Fundação “la Caixa”, de forma a celebrarmos a vida unidos pela grande música!

Bem hajam todos!

Filipe Pinto-Ribeiro

Director Artístico do Festival de Música dos Capuchos