Depois da emoção do regresso após 20 anos de ausência, a 2ª edição do renascido Festival dos Capuchos é a afirmação da sua vitalidade, da qualidade e rigor que sempre o caracterizou.
O tão simples Convento dos Capuchos continua a ser o palco principal deste Festival que nos propõe uma viagem musical e literária com intérpretes de excepção. Em relação à edição de 2021, o evento cresce, expandindo-se por novos espaços como o Grande Auditório da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade NOVA de Lisboa.
A programação deste ano é especialmente rica e conta com concertos monográficos dedicados a Mozart, Schubert, Beethoven e Fernando Lopes-Graça. São muitos os músicos de referência e excelência internacional que estarão presentes, com destaque para o concerto de abertura pela Orquestra de Câmara de Viena.
Em Almada pretendemos continuar a apostar no que de melhor tem Portugal, com destaque para a Orquestra Gulbenkian, do DSCH-Schostakovich Ensemble, do Sete Lágrimas e do grupo de música tradicional mirandesa, Galandum Galundaina, que irá apresentar um concerto dedicado à música das Terras de Miranda/Nordeste Transmontano, uma vertente que, este ano, o Festival dedica a outros géneros musicais.
Nesta edição, destaco a participação de jovens músicos internacionais que vão demonstrar a sua arte nos Capuchos com destaque para a violinista ucraniana Diana Tishchenko, a pianista russa Anna Tsybuleva e o violoncelista e maestro francês Victor Julien-Laferrière.
O Festival dos Capuchos nasceu, no início dos anos 80, da ideia e da vontade do saudoso José Adelino Tacanho e de António Wagner Diniz, que receberá uma merecida homenagem com o concerto Carta Branca com a participação de jovens músicos.
O já habitual Ciclo de Conversas dos Capuchos, com curadoria de Carlos Vaz Marques, dedica esta edição a três importantes efemérides: o centenário de nascimento de Agustina Bessa-Luís, os 450 anos de publicação d’Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões e o centenário da morte de Marcel Proust.
A Cultura é o grito da liberdade, contra qualquer forma de censura. A Cultura ganha papel de destaque na construção de uma sociedade mais livre, mais aberta e mais criativa. O Festival de Música dos Capuchos assume um importante papel em Almada, neste território que pela sua história, pela sua tradição e pelas suas pessoas se assume como um território de muitos.
At last, I would like to express my gratitude to those who make this Festival possible. Firstly to Filipe Pinto-Ribeiro, the artistic director, secondly to the event’s main sponsor the BPI/La Caixa Foundation and, last but not least, to the FCT-NOVA that for the first time will host concerts in its Great Hall, fulfilling one the municipality’s objectives: that of bridging the city and the university and in doing so promoting the universal access to Culture.

Inês de Medeiros

Mayor of Almada

Bem-vindos à edição de 2022 do Festival de Música dos Capuchos!
Após um silêncio de duas décadas, o Festival de Música dos Capuchos “renasceu” em 2021, com renovado vigor e excelência artística, num regresso, saudado nacional e internacionalmente, que resgata o seu lugar de evento cultural de referência e o seu público entusiasta que, apesar das restrições causadas pela pandemia de COVID-19, esgotou a maioria dos concertos.
Artistas da mais elevada envergadura, como Alfred Brendel, Hopkinson Smith, Sergei Nakariakov, Viviane Hagner e Alexander Kantorow, entre muitos outros, marcaram presença e abrilhantaram a edição de 2021, lançando o mote de excelência para um futuro de novos desafios, (re)descobertas e fascínios.
Chegamos, pois, a 2022, inspirados por este legado e entusiasmados pela construção de mais um elo nesta corrente infinita e bela que é a Arte: ex nihilo nihil fit, nada surge do nada…
E, assim, começamos – e encerramos – o Festival de 2022 com uma das mais míticas e icónicas composições da música ocidental: as Variações Goldberg, de Johann Sebastian Bach.
Obra de absoluta beleza e complexidade, que alguém descreveu como “um cubo de Rubik de invenção e de arquitectura”, as Variações Goldberg são interpretadas ao longo do Festival em três momentos e em três versões – cravo, piano e trio de cordas –, que tomam a forma de Prelúdio, Interlúdio e Poslúdio do Festival. Música circular, sem início nem fim… as Variações Goldberg são uma manifestação artística suprema de continuidade, de eternidade, de universalidade.
The 2022 programme of the Capuchos Festival is es pecially filled with various monographic concerts, which allow us to travel through several creative facets and (re)discover works by Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Franz Schubert and Fernando Lopes-Graça.
As a preamble to the musical journeys of the Capuchos Festival, and in order to associate the evocation of the written word to the expressive power of music, the Capuchos Talks cycle is, in 2022, dedicated to three important literary anniversaries of this year: the 450th anniversary of the publication of The “Lusíadas”, by Luís Vaz de Camões, whose Talk is followed by a concert dedicated to what would be Camões' "sonovision" of his time, the places he passed through and the environments he frequented; and the centenaries of the birth of Agustina Bessa-Luís and of the death of Marcel Proust, whose concert following the Talk outlines a panoramic journey through French chamber music "accompanied" by the great music lover that was Proust.
Several international first class ensembles and musicians are present in the 2022 edition of the Capuchos Music Festival. Among them, the Vienna Chamber Orchestra stands out, considered one of the main chamber orchestras in the world, as well as musicians renowned for decades, such as the harpsichordist Pierre Hantaï, the viola player Gérard Caussé, who returns to the Capuchos more than 30 years later, the pianist Konstantin Lifschitz or the Argentinean bandoneonist based in New York Héctor Del Curto, among others.
Also noteworthy is the participation of some of today's most sought-after and exciting young musicians, winners of major world competitions, such as Ukrainian violinist Diana Tishchenko, Grand Prix Jacques Thibaud at the legendary Long-Thibaud-Crespin International Competition in Paris (2018), the Russian pianist Anna Tsybuleva, First Prize at the Leeds International Piano Competition (2015), and the French cellist and conductor Victor Julien-Laferrière, winner of the famous Queen Elisabeth of Brussels Competition (2017), in what was the first edition in history dedicated to the cello.
On a national level, I would like to highlight with enthusiasm the presence of the Gulbenkian Orchestra, the DSCH - Shostakovich Ensemble, the Sete Lágrimas and the traditional Mirandese music group Galandum Galundaina. This last group will present a concert dedicated to the music of Terras de Miranda/Nordeste Transmontano, in a strand dedicated to other musical genres that the Capuchos Festival embraces and which is also manifested in the concert dedicated to the universe of tango, with a special focus on the music of Astor Piazzolla.
Por fim, last but not least, um momento de agradecimento e de homenagem a António Wagner Diniz, co-fundador do Festival dos Capuchos, em parceria com o saudoso José Adelino Tacanho que prosseguiu e dirigiu admiravelmente a “aventura” em que ambos se lançaram no início dos anos 80 do século passado. Trata-se de um concerto “Carta Branca” a António Wagner Diniz, que concebeu um evento original com a participação de um leque de jovens e talentosos cantores, seus discípulos, e no qual, nas suas palavras, “pretende cumprir dois rituais, o de passagem de testemunho e o de despedida”.
Volto a Bach e às suas Variações Goldberg, música sem princípio nem fim, testemunho genial de continuidade infinita…
Thank you to all those who make the Capuchos Music Festival possible, especially to the City Council of Almada, promoter of this praiseworthy initiative, and to the Main Patron of the Festival, BPI/Fundação "la Caixa", so that we may celebrate life united by Music!

Filipe Pinto-Ribeiro

Artistic Director